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Tendência é de polarização entre as candidaturas ao governo do Estado

 

Por Andréa Leonora, Editora da Coluna Pelo Estado

O cientista político Bruno Soller, do Real Time Big Data (RTBD), analisou os resultados da pesquisa para o governo do Estado e Senado – intenção de voto e rejeição –, bem como a avaliação do governo. O dado que mais chamou sua atenção foi o ainda alto índice de eleitores indecisos em Santa Catarina na pesquisa espontânea: 51%, contra uma média nacional de pelo menos 10 pontos a menos.

A explicação para isso é o baixo conhecimento dos nomes dos candidatos. Mesmo os que despontam, Décio Lima (PT), Gelson Merisio (PSD) e Mauro Mariani (MDB), só concorreram a eleições municipais e legislativas. Por outro lado, na proporção em que a campanha avança – a partir desta terça-feira faltarão apenas 13 dias para o pleito – e as candidaturas se tornam mais conhecidas, o índice de rejeição ao candidato do PT se consolida, tanto que saltou de 22% na pesquisa do RTBD divulgada em 5 de setembro para 44% agora.

” O que se percebe é o forte sentimento de antipetismo. Isso faz com que o Décio Lima saia da condição de triplo empate que tínhamos na outra pesquisa. Ele tinha mais votos entre homens e mais velhos, faixa com clara resistência ao PT. Esse voto migra para os outros dois.” Se no voto masculino o petista começa a ter mais rejeição, no feminino ele se mantém estável. “Um fenômenos que acontece com candidatos de esquerda. As mulheres têm essa preferência. Pode pesar aí também o fator de rejeição ao candidato Bolsonaro”, avalia Soller.

Merisio e Mariani cresceram mais fortemente na intenção de votos nas regiões do Vale do Itajaí e da Grande Florianópolis que ainda assim, são as com o maior número de indecisos. “Na reta final as pessoas terão que se decidir. Com os dados que temos hoje, há uma tendência de polarização entre Gelson Merisio e Mauro Mariani.”

 

Voto por região

O número de indecisos ainda é alto na Grande Florianópolis (19%) e no Vale do Itajaí (26%). Já no Sul e na região Serrana se mantém a condição de empate técnico entre os três candidatos. A explicação para a taxa de indecisos na Grande Florianópolis ser tão alta pode estar no fato de nenhum candidato ser da região, além do perfil pulverizado da população.

Já no Vale do Itajaí é o excesso de nomes da região: Décio Lima foi prefeito de Blumenau, mesma condição de Napoleão Bernardes, vice de Mariani, e de João Paulo Kleinübing, vice de Gelson Merisio.
O nível de indecisão ainda é maior entre os mais jovens. De 16 a 24 anos e de 25 a 34 anos o percentual fica em 23%.

 

Perfil dos eleitores

No cruzamento das informações obtidas na pesquisa, o perfil do eleitor dos três candidatos com melhores índices de intenção de votos também fica mais claro.

Até aqui, a maior parte dos que votam em Mariani são homens, do Norte do Estado e com mais de 35 anos. Os eleitores de Merisio se caracterizam por serem, na maioria, homens, do Oeste do estado e também com mais de 35 anos.

No caso de Décio há uma variação maior. Seus eleitores estão mais presentes nas regiões Sul e Serrana, entre mulheres de 16 a 34 anos. “Mariani é o que consegue ter o voto mais distribuído. Só vai um pouco pior na região Sul. Merisio fica um pouco abaixo da média de Mariani, mas se destaca fortemente no Oeste.”

 

Qual a estratégia?

Para Bruno Soller, dar mais atenção às mulheres, especialmente as mais jovens e residentes no Vale do Itajaí e na Grande Florianópolis, pode resultar em um bom índice de votos conquistados. “As mulheres são muito mais ligadas aos serviços públicos. São elas que mais estão atentas aos problemas das creches, das escolas, do atendimento de saúde, do transporte público. Isso se repete em todos os estados nos quais fizemos pesquisas. É um voto mais crítico”, concluiu Soller.

 

Decisão judicial

Diferentemente da pesquisa do RTBD divulgada no início do mês, nesta não serão divulgadas as simulações de segundo turno. O PT-SC entrou com um pedido de impugnação da pesquisa completa. O TRE-SC deu liminar autorizando a divulgação do estudo, mas sem informações de segundo turno, justificando a falta do cenário de confronto entre todos os postulantes ao cargo de governador.

 

O Blumenauense

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